No dia 1º de dezembro de 2025, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) celebrou o seu aniversário de 72 anos de criação em cerimônia militar presidida pelo Diretor-Geral, Tenente-Brigadeiro do Ar Ricardo Augusto Fonseca Neubert.
Na ocasião, estiveram presentes o Vice-Diretor do DCTA, Major-Brigadeiro Engenheiro Luciano Valentim Rechiuti; o Comandante da Aviação do Exército, General de Divisão Emerson Alexandre Januário; o Major-Brigadeiro do Ar Walacyr Cheriegate; o Major-Brigadeiro do Ar Luiz Guilherme Silveira de Medeiros; o Major-Brigadeiro do Ar Eliezer de Freitas Cabral; o Reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Professor Doutor Antonio Guilherme de Arruda Lorenzi; o Prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias Ferreira; os Oficias-Generais da Aeronáutica; o Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Antonio Miguel Vieira Monteiro; o Coordenador-Geral da Consultoria Jurídica da União de São José dos Campos, Procurador Carlos Freire Longato, além dos Comandantes, Chefes, Diretores das Organizações Militares da GUARNAE-SJ, Pró-reitora de Administração do ITA e Prefeita de Aeronáutica de São José dos Campos; Graduado-Master da Guarnição de Aeronáutica de São José dos Campos (GUARNAE-SJ); e demais autoridades presentes.

A cerimônia é marcada pela entrega de condecorações importantes, entre elas o Título de “Membro Honorário da Força Aérea Brasileira”, honraria concedida a civis e militares da reserva, brasileiros ou estrangeiros, que, por sua atividade, tenham cooperado diretamente com as organizações do Comando da Aeronáutica em ações de relevância para o contexto científico e tecnológico do nosso país.
A secretária de Turismo de São José dos Campos, Aline Auxiliadora Arantes de Oliveira, tem ampliado a integração entre a comunidade e a Aeronáutica por meio do fortalecimento do turismo cívico e tecnológico. Entre as iniciativas estão projetos de visitação, inclusão de pontos históricos em roteiros oficiais e apoio a eventos institucionais.
“Para mim, pessoalmente e profissionalmente, este é, sem dúvidas, um dos títulos mais importantes que já recebi ao longo da minha trajetória. É também um reconhecimento para a cidade, que reforça a parceria entre a União, o DCTA, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Prefeitura de São José dos Campos. A Prefeitura está na ponta, em contato direto com a população, e conduz a governança do turismo no município. E não há como falar de São José sem mencionar seu DNA de inovação e tecnologia, tão fortemente ligado ao DCTA. Por isso, este reconhecimento não é apenas para a Aline, a profissional, mas para toda a cidade. Ele reforça os laços da capital do avião, da inovação e da tecnologia com o turismo, que recebe nossos visitantes, abre as portas e convida todos a conhecerem a inovação que temos aqui em São José dos Campos”, agradeceu Aline.
Ao longo da leitura da Ordem do Dia alusiva aos 72 anos do DCTA, o Tenente-Brigadeiro Neubert destacou o papel histórico do Departamento na consolidação da pesquisa e da inovação aeroespacial no Brasil, ressaltando a importância dos projetos estratégicos, da formação de novos talentos e do compromisso contínuo com a soberania nacional.
“Militares e servidores civis do DCTA: é graças ao esforço diário e ao espírito de equipe de cada um dos senhores e senhoras que seguimos avançando. Os resultados alcançados não pertencem a indivíduos, mas sim ao conjunto desta grande Organização. Por isso, reafirmo aquilo que deve permanecer guiando nossa trajetória: somos todos responsáveis por manter o legado que recebemos e, sobretudo, por entregar um DCTA ainda mais forte às próximas gerações. Que os exemplos de nossos pioneiros — cuja coragem, visão e compromisso possibilitaram que o Brasil se tornasse referência no cenário aeroespacial — continuem a nos inspirar. Que jamais percamos o entusiasmo pela inovação, o rigor na ciência, a disciplina militar e o propósito inabalável de servir ao país”, ressaltou o Diretor-Geral.
Durante a solenidade também foram condecorados com a Medalha de Tempo de Serviço os militares que completaram 30, 20 ou 10 anos de bons serviços prestados à FAB. A referida condecoração, criada pelo decreto nº 4.238, de 15 de novembro de 1901, destina-se a reconhecer os Oficiais e Praças da Marinha do Brasil (MB), do Exército Brasileiro (EB) e da FAB, por seu empenho e comprometimento.
A Suboficial Especialista em Administração Débora Santos de Abreu recebeu a Medalha de Tempo de Serviço pelos 20 anos de dedicação à FAB. Com 22 anos de carreira militar, a homenageada acumula experiências que marcaram sua trajetória na caserna e reforçam o compromisso com a missão institucional.
“Cada dia dedicado à farda trouxe aprendizado, desafios e conquistas que moldaram minha trajetória. É uma honra receber esse reconhecimento. Este gesto reforça meu compromisso com a missão e com os valores que sempre guiaram meu caminho na caserna”, disse a Suboficial Débora.
Ao término da solenidade, a tropa desfilou em continência ao Diretor-Geral do DCTA, ao som do dobrado “Saudades de Minha Terra” e “Asas de Prata”.
Homenagem ao Graduado, Praça e Servidor padrão do DCTA
Os títulos têm como finalidade reconhecer servidores e militares que se destacaram ao longo do ano, valorizando o empenho individual e incentivando a excelência dentro do Departamento. Para a escolha dos homenageados, foram considerados critérios como qualidade e produtividade, trabalho em equipe, responsabilidade, relacionamento no ambiente de trabalho, disciplina, apresentação pessoal e liderança.
Foram agraciados, como Graduado Padrão, Primeiro-Sargento Especialista em Serviços de Informática, Diego Francisco Fonseca, como Praça Padrão o Soldado de Segunda-Classe João Augusto Silva de Carvalho, e como Servidor Padrão o Técnico Informático Geraldo Francisco Gama.


“Receber o título de Praça Padrão de 2025 faz com que eu me sinta verdadeiramente reconhecido pelo meu trabalho. Essa conquista me motiva a elevar ainda mais o padrão do que entrego e a buscar objetivos cada vez mais altos. Sinto-me honrado por atuar no DCTA e tenho profundo orgulho de pertencer à FAB”, disse o Soldado João Augusto.
DCTA 72 anos
No ano de 1941, a criação do Ministério da Aeronáutica, em meio a um grande conflito mundial, evidenciava a importância da aviação militar para o mundo e para o Brasil. Em sua organização inicial, o então Tenente-Coronel Aviador Casimiro Montenegro foi nomeado Diretor da Subdiretoria de Técnica Aeronáutica e, em sua larga visão inovadora, não tardou em levantar as necessidades para viabilizar uma escola superior de engenharia aeronáutica que gerasse pesquisa, desenvolvimento e promovesse a industrialização do país.
Em janeiro de 1946, foi criada a Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica (COCTA), que ficou subordinada diretamente à Subdiretoria de Técnica Aeronáutica, sob os cuidados de Casimiro. O objetivo maior era impulsionar a produção aeronáutica a partir da formação de capacitados engenheiros aeronáuticos, visto que eram escassos no Brasil.
A COCTA, com sede no Rio de Janeiro em seus anos iniciais, empreendeu chamadas públicas para a construção do centro de ensino, que, posteriormente, veio a tornar-se o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), sendo transferido para São José dos Campos, em novembro de 1953. Sendo assim, surge o Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), o qual a história se entrelaça com a criação da escola que, hoje, é referência em ensino público de qualidade, pesquisa e fomento à indústria.
Atualmente, o DCTA e suas organizações subordinadas formam um complexo de pesquisa e desenvolvimento voltado a planejar, gerenciar e executar atividades relacionadas à ciência, tecnologia e inovação no âmbito do Comando da Aeronáutica.
Fonte: DCTA, por Ten Alessandra Borges
Foto: PASJ, Ten Daniela Camargos; IEAv, por Sgt Eduardo; DCTA, por Sgt Neves; DCTA, por Sgt Lucineia
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No dia 28 de novembro de 2025, o Grupo de Segurança e Defesa de São José dos Campos (GSD-SJ), unidade de Infantaria da Aeronáutica que integra o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), sediou a cerimônia alusiva ao compromisso à Bandeira Nacional da Segunda Turma do ano de 2025.
A solenidade foi presidida pelo Chefe da Coordenadoria de Governança do Departamento de Ciências e Tecnologia Aeroespacial, Brigadeiro Engenheiro Fernando Benitez Leal. Estiveram presente o Comandante do GSD-SJ, Tenente-Coronel de Infantaria Erick Antonio Silva, além de contar com a presença dos Comandantes, Chefes e Diretores das Organizações Militares da Guarnição de São José dos Campos (GUARNAE-SJ) e o Presidente da Associação Desportiva Classista dos Servidores Civis e Militares do Centro Técnico Aeroespacial (ADCCTA), Robson Rodolfo Gervásio.
A cerimônia celebra a conclusão de mais um Curso de Formação de Soldados (CFSd). Nesta ocasião, 213 recrutas finalizaram a formação básica, tornando-se Soldados de Segunda Classe. Esses militares, agora integrantes efetivos do DCTA, passam a compor as fileiras do GSD-SJ, iniciando suas carreiras nas Forças Armadas.
Ao longo do curso, os recrutas foram diuturnamente acompanhados pelo efetivo do Esquadrão de Formação de Soldados (EFSd). Durante os 4 meses de formação, foram submetidos a avaliações teóricas e práticas em diversas áreas do conhecimento, desenvolvendo competências essenciais para o cumprimento de suas atribuições no âmbito militar.
Durante o curso, destacaram-se os Soldados de Segunda-Classe João Vitor Alves Jaccoud, 1º colocado da turma, e Hiago Santos Souza, eleito pelos instrutores e companheiros da “Turma Arcanjos” o “Soldado Padrão” em decorrência de, dentre outros atributos, sua exemplar conduta militar, responsabilidade, zelo e espírito de corpo.
Em suas palavras, o Comandante do GSD-SJ, Tenente-Coronel de Infantaria Erick Antonio Silva, destacou a trajetória percorrida ao longo do período de formação, lembrando que cada militar foi moldado dia após dia, instrução após instrução, e por meio de cada renúncia feita no caminho.
“E a vocês, Arcanjos: hoje não termina nada. Hoje começa. Começa a etapa em que cada um precisará honrar o que aprendeu, fortalecer o que conquistou e representar diariamente este distintivo com orgulho, disciplina, humildade e coragem. Vocês agora fazem parte da história desde DCTA. E, mais do que isso, carregam um nome que não foi dado por acaso: ARCANJOS — aqueles que combatem em favor da luz. Aproveitem todas as experiências que viveram aqui, nessa vida nada é por acaso”, enfatizou Tenente-Coronel Erick.

Fonte: GSD-SJ, por Ten Morales e Sgt Célio
Fotos: PASJ, por Ten Daniela Camargos; DCTA, por Sgt Neves; IEAv, por Sgt Eduardo
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Extensão até 22 de dezembro permitirá novos testes de segurança do veículo espacial
A empresa sul-coreana Innospace, em coordenação com a Força Aérea Brasileira (FAB), decidiu estender, até o dia 22 de dezembro, o período da Operação Spaceward, para lançamento do foguete HANBIT-Nano a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão (MA). Com a decisão conjunta, que vai permitir novos testes de segurança no veículo e garantir máxima confiabilidade, a data da primeira tentativa foi reagendada para o dia 17 de dezembro. O evento marca a entrada do Brasil no mercado global de lançamentos espaciais, abrindo novos caminhos para geração de renda e investimentos no segmento.
“Como centro lançador, a FAB está cumprindo integralmente seu papel: nossas equipes, instalações e sistemas permanecem prontos e operando dentro dos padrões mais rigorosos. Os resultados dos ensaios para validar os sistemas de aviônica do HANBIT-Nano apresentaram uma oportunidade para realizar alguns aprimoramentos que vão elevar ainda mais o nível de segurança e confiabilidade antes do lançamento. Essa etapa é natural em missões inaugurais e fundamental para garantir que cada sistema do foguete opere com máxima precisão. Estamos aqui para prover todo o suporte técnico necessário e acompanhar esse processo lado a lado com a empresa, sempre com foco na segurança, na transparência e na excelência das operações conduzidas em Alcântara”, explica o Coordenador Geral da Operação, Coronel Engenheiro Rogério Moreira Cazo, completando que a ampliação do período não representa retrocesso, mas um ciclo de testes mais robusto, alinhado às melhores práticas da atividade espacial.
A previsão era de que o lançamento fosse realizado no próximo sábado (22/11). No entanto, a alteração na data ocorre para que sejam feitos aprimoramentos no processamento dos sinais coletados do veículo e utilizados na avaliação do seu desempenho durante o lançamento. A operação, conduzida pela FAB em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), representa o primeiro lançamento comercial a partir do território nacional.
“O CLA permanece totalmente operacional. A extensão do período foi uma decisão conjunta e responsável, baseada nas avaliações técnicas da Innospace a partir de dados fornecidos pelo Centro, e que demanda tempo adicional para assegurar que cada sistema esteja plenamente qualificado", afirma o Diretor do CLA, Coronel Aviador Clóvis Martins de Souza.
Ensaio na plataforma
Nos últimos dois dias, a cliente sul-coreana concluiu um ensaio geral na plataforma, reproduzindo as etapas de uma operação real: deslocamento do veículo até a plataforma, preparativos de lançamento, verificação da sequência de lançamento e procedimentos de retorno da plataforma. A empresa confirmou que os testes dos sistemas de pressão, elétrica, controle e integração entre veículo e plataforma foram concluídos com sucesso.
Operação Spaceward
Operação coordenada pela FAB em parceria com a AEB para lançamento do foguete HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, a partir do CLA, no Maranhão. A iniciativa é conduzida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e marca a entrada do Brasil no mercado global de lançamentos espaciais, abrindo novos caminhos para geração de renda e investimento no segmento.
Como resultado do edital de chamamento público lançado pela AEB em 2020, a Innospace foi selecionada para operar no CLA e assinou contrato com o Comando da Aeronáutica em 2022. O foguete HANBIT-Nano transportará cinco satélites e três experimentos, desenvolvidos por instituições e empresas do Brasil e da Índia.
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Fonte: DCTA
Edição: Agência Força Aérea, por Tenente Letícia Faria
Revisão: Coronel Ribeiro
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O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) realizou, no dia 12 de novembro de 2025, o I Workshop de Gestão do Conhecimento (GC), com o tema “Desafios e Oportunidades nas Organizações”.
Promovido pela Coordenadoria de Gestão do Conhecimento (CGC), subordinada à Vice-Direção do DCTA, o evento reuniu representantes de diversas Organizações Militares (OM), especialmente das Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT/OM) da Força Aérea Brasileira (FAB), além de especialistas de grandes organizações nacionais, com o objetivo de fortalecer a cultura de GC e promover a troca de experiências sobre práticas inovadoras de gestão do conhecimento.
A cerimônia de abertura contou com palavras do Vice-Diretor do DCTA, Major-Brigadeiro Engenheiro Luciano Valentim Rechiuti, que ressaltou a importância de iniciativas como esta para o fortalecimento da gestão estratégica e para o desenvolvimento científico e tecnológico do Departamento.
Durante o evento, o Chefe da Coordenadoria de Gestão do Conhecimento (CGC), Coronel Soracli de Oliveira Silva, destacou o papel da Coordenadoria como elo entre as atividades de pesquisa, inovação e gestão do capital intelectual das organizações, reforçando o compromisso do DCTA em estruturar processos, indicadores e políticas voltadas ao compartilhamento e à proteção do conhecimento.
O Workshop contou com palestras de representantes de importantes instituições nacionais, como EMBRAER, Exército Brasileiro (EB), VALE e PETROBRAS, que apresentaram suas experiências e boas práticas em Gestão do Conhecimento, bem como os principais desafios e oportunidades enfrentados em seus respectivos contextos organizacionais.
Entre os temas debatidos, destacaram-se as estruturas de governança, os papéis e responsabilidades na GC, as métricas de desempenho e as estratégias de disseminação e retenção do conhecimento. O encontro proporcionou um ambiente de diálogo e aprendizado coletivo, reforçando o compromisso do DCTA com a consolidação da Gestão do Conhecimento como prática estratégica para a inovação e a excelência institucional.
Ao final, a CGC reafirmou seu compromisso em dar continuidade aos trabalhos, apoiando as ICT e demais OM na implementação da Gestão do Conhecimento, por meio de orientações, diretrizes e acompanhamento das iniciativas em curso.
O I Workshop de Gestão do Conhecimento do DCTA marca o início de um novo ciclo de fortalecimento da GC no âmbito do Departamento, em consonância com as diretrizes estratégicas da Força Aérea Brasileira (FAB) para o desenvolvimento científico, tecnológico e organizacional do país.
Fonte: DCTA, por Ten Maralyza Pinheiro
Fotos: ITA
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Instituição explica como inteligência, controle de acesso, monitoramento de voo e ações integradas de múltiplas instituições asseguram a segurança total da missão
A segurança para o lançamento do foguete HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, é o eixo central da Operação Spaceward, em Alcântara (MA). Nesta semana, que antecede o primeiro lançamento comercial a partir do território nacional, foram reforçados os protocolos que asseguram a proteção total das pessoas, das instalações e do próprio veículo durante cada fase da missão. A iniciativa, coordenada pela Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), simboliza a entrada definitiva do Brasil no mercado global de lançamentos espaciais e abre novas alternativas para geração de renda e investimentos no segmento espacial.
Por se tratar do voo inaugural do foguete, todas as etapas seguem padrões ampliados de controle, monitoramento e mitigação de riscos. “Nosso compromisso é manter cada fase da operação dentro dos limites de risco estabelecidos pelo Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). A FAB oferece à Innospace uma estrutura robusta, que inclui inteligência, prevenção de acidentes e monitoramento integral do comportamento do foguete em voo. Tudo é acompanhado em tempo real, de forma técnica e coordenada”, explica o responsável pela Assessoria de Segurança Operacional da Operação Spaceward, Capitão Engenheiro Eduardo Lopes Pinho.
Riscos mapeados
A segurança no CLA é estruturada em três eixos complementares: segurança orgânica, de superfície e de voo. Cada eixo atua em fases distintas da operação, mas de forma integrada, compondo uma malha de proteção contínua que garante o controle de todas as etapas do lançamento.
Na segurança orgânica, o foco está no controle de acesso às áreas sensíveis, na vigilância das instalações e na atuação de inteligência. Essa camada é responsável por impedir a presença de pessoas não autorizadas em zonas críticas e assegurar que materiais estratégicos sejam manipulados dentro dos padrões estabelecidos. Já a segurança de superfície cobre todas as atividades realizadas em solo, desde a preparação do veículo até o manuseio de combustíveis, ferramentas e equipamentos energéticos. É nessa etapa, inclusive, que bombeiros, equipes médicas, engenheiros e técnicos trabalham lado a lado na prevenção de acidentes, no atendimento a emergências e na fiscalização das normas de segurança. 
A segurança de voo é a atividade que necessita maior concentração durante o lançamento, quando ocorre o monitoramento em tempo real do foguete, desde o acionamento do motor até o fim da trajetória. Qualquer desvio do corredor de voo é identificado imediatamente, permitindo o acionamento dos sistemas de interrupção da missão quando necessário, garantindo a integridade das equipes e das áreas sob risco.
Para o lançamento inaugural do HANBIT-Nano, no próximo dia 22, o foguete será operado sob protocolos de segurança equivalentes aos padrões internacionais. No CLA, todas as áreas trabalham com redundância, checagens cruzadas e monitoramento contínuo para garantir a confiabilidade da missão. “Um veículo que voa pela primeira vez traz incertezas naturais, e isso é previsto nos nossos sistemas. A prioridade é garantir que, caso ocorra alguma anomalia, o evento seja contido com rapidez e sem risco para as pessoas ou para as áreas externas”, afirma o Capitão Pinho.
Apesar da alta complexidade das atividades espaciais, o CLA mantém um controle preciso e contínuo de todos os parâmetros operacionais. Os sistemas são projetados com margens amplas de segurança e redundância total nas áreas críticas, assegurando que cada etapa ocorra dentro dos mais altos padrões de confiabilidade. “A atividade espacial envolve risco, mas risco administrado, acompanhado e mantido dentro de limites aceitáveis. O essencial é que, se houver falha, ela seja contida e nunca se transforme em perigo para a população”, reforça o Capitão Pinho.
O que fazer em caso de anomalia
Diante da identificação de qualquer comportamento fora dos parâmetros de voo planejados, é executada uma sequência operacional predefinida, que envolve a detecção da anomalia, a avaliação imediata e o eventual acionamento do Sistema de Terminação de Voo (FTS), responsável por encerrar a missão com segurança. Posteriormente, equipes técnicas realizam o isolamento da área e conduzem a coleta e análise dos dados para subsidiar as investigações. A FAB coordena a governança da segurança e fornece toda a infraestrutura operacional. A responsabilidade técnica pelo desempenho do foguete é da Innospace, conforme estabelecido nas normas da AEB para lançamentos comerciais.
Havendo necessidade de interromper o voo, a equipe de segurança mantém total controle do veículo, mesmo diante de uma falha. A FAB aciona um comando remoto que desativa instantaneamente a propulsão do foguete, impedindo que ele continue sua trajetória. “A estrutura do veículo é propositalmente rompida para que o combustível remanescente seja consumido de forma controlada. Sem força motriz e sem capacidade de continuar voando, o foguete perde sustentação e desce rumo ao mar, exatamente dentro de uma área previamente delimitada, planejada para não oferecer qualquer risco à população, às equipes envolvidas ou às instalações da FAB”, explica o Coordenador-Geral da Operação, Coronel Engenheiro Rogério Moreira Cazo. 
O Oficial salienta, ainda, que durante a fase de planejamento da operação, a trajetória do veículo e seus possíveis modos de falha foram amplamente discutidos ao longo de cerca de dois anos entre a equipe da Segurança de Voo da FAB e a empresa. “Desse processo resultaram regras bem definidas de análise, que oferecem base sólida para decidir quando os comandos de terminação de voo devem ser enviados em caso de anomalias.”, complementa.
Atuação conjunta com outras instituições
A operação envolve uma rede de cooperação entre diferentes instituições. Nesse cenário, a FAB atua também com o envolvimento de outras organizações militares, a exemplo do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), emitindo Aviso aos Aeronavegantes, conhecido como NOTAM, referente ao fechamento ou à restrição de determinada porção do espaço aéreo. O documento mais recente, emitido na terça-feira (11/11), estabelece que o espaço aéreo sobre uma área do CLA ficará fechado das 12h às 23h59, no período que vai de 17 de novembro a 2 de dezembro. Além disso, equipes de bombeiros militares, médicos, especialistas em materiais perigosos e profissionais do CLA permanecem em prontidão em todas as fases, desde a preparação do veículo até o pós-lançamento.
A operação conta, ainda, com a atuação da Marinha do Brasil (MB), que emite avisos para restringir temporariamente a navegação marítima na área de risco durante lançamentos aeroespaciais com possibilidade de queda de estágios ou fragmentos no mar. Os comunicados podem ser: Aviso aos Navegantes (AvNav), divulgado antecipadamente nos sistemas náuticos, informando a área a ser evitada; e Aviso-Rádio Náutico e Busca e Salvamento (SAR), transmitido por rádio para alertar embarcações próximas durante a atividade. Essas medidas visam a reduzir o risco de impacto e proteger a vida humana no mar durante o lançamento. No caso, este tipo de medida deve ser realizada em breve.
Existem diversos outros entes. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) acompanha os aspectos ambientais durante todo o processo. A Defesa Civil atua nos cenários de contingência. A AEB supervisiona o cumprimento das normas regulatórias. A Agência Aeroespacial da Coreia do Sul - KASA (do inglês Korea AeroSpace Administration), acompanha os aspectos técnicos relacionados ao veículo. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) atua no monitoramento do espectro eletromagnético para evitar interferências e detectar drones não autorizados.
Todos operam em sinergia no dia do lançamento, seguindo protocolos e mapas de risco previamente alinhados.
Operação Spaceward
A Spaceward é resultado do edital de chamamento público lançado pela AEB em 2020. A Innospace assinou contrato com o Comando da Aeronáutica em 2022. O HANBIT-Nano, que levará cinco satélites e três experimentos, será o primeiro foguete comercial lançado a partir do território brasileiro.
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Revisão: Coronel Ribeiro
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A Força Aérea Brasileira (FAB) concluiu com sucesso a Operação Samaúma, campanha de ensaios em voo coordenada pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) — órgão responsável pelo desenvolvimento científico, tecnológico e industrial do Comando da Aeronáutica — junto às empresas Embraer e SAAB. Realizada nas instalações da Embraer, em Gavião Peixoto (SP), nos meses de outubro e novembro, a Operação teve como objetivo certificar o reabastecimento em voo (REVO) entre as aeronaves F-39 Gripen e KC-390 Millennium.
A Operação Samaúma representa um marco para o poder aéreo e para a Base Industrial de Defesa (BID), ao consolidar a autonomia tecnológica do Brasil em uma das capacidades mais estratégicas da aviação de combate moderna.
Ampliação da capacidade operacional da FAB
O reabastecimento em voo é uma capacidade fundamental para o cumprimento da missão da FAB. Isso permite que as aeronaves de caça permaneçam em operação por longos períodos, ampliando significativamente o alcance e o tempo de permanência sobre áreas de interesse (time on station).
Com o suporte da aeronave KC-390 Millennium, o Gripen pode, com apenas um reabastecimento, alcançar em poucas horas qualquer ponto do território brasileiro, incluindo regiões fronteiriças distantes, a cerca de 3.000 quilômetros de Anápolis (GO), onde se localiza a Base Aérea de Anápolis (BAAN), sede dos Gripens. Essa capacidade de responder prontamente a qualquer ameaça que cruze as fronteiras do Brasil assegura o cumprimento da missão da FAB de manter a soberania do espaço aéreo nacional.
Em outro cenário, em uma Patrulha Aérea de Combate, com o REVO, as aeronaves Gripen podem orbitar uma área por tempo prolongado, realizando sucessivos reabastecimentos no KC-390, posicionado à retaguarda. Essa tática é fundamental em diversas situações, inclusive em Missões Aéreas Compostas (COMAO, Composite Air Operations), nas quais o Gripen atua protegendo aeronaves amigas que realizam missões simultâneas em áreas próximas, como reconhecimentos, ataques ao solo, lançamento de paraquedistas e infiltrações de tropa, por exemplo.
Durante a Operação Samaúma, foram ensaiadas diferentes configurações de reabastecimento, incluindo o Gripen equipado com mísseis, bombas e tanques externos. Cada perfil foi avaliado em diversas altitudes e velocidades, a fim de verificar o comportamento da aeronave e a estabilidade dos sistemas. Os resultados confirmaram a segurança e a eficiência das operações, validando os procedimentos para emprego em missões reais.
A importância da campanha e certificação
A certificação de produtos aeronáuticos é essencial para garantir a segurança, a confiabilidade e a conformidade com normas internacionais de aviação, comprovando que os sistemas, componentes e procedimentos atendem a requisitos rigorosos de projeto, fabricação, manutenção e operação, minimizando riscos de falhas. No caso específico do reabastecimento em voo, envolvendo um par de aeronaves — o reabastecedor (tanker) e o recebedor (receiver) —, a certificação é ainda mais crítica devido à complexidade da operação em proximidade extrema, velocidades compatíveis e transferência de combustível sob pressão, exigindo integração perfeita entre sistemas, controles de voo automatizados, sensores de posição, válvulas de segurança e procedimentos de emergência. Qualquer incompatibilidade ou falha pode resultar em colisão, vazamento de combustível ou perda de controle, justificando testes extensivos de compatibilidade, estresse estrutural e desempenho em envelope de voo para obter a certificação que autorize a operação conjunta.
Pela primeira vez, o F-39E Gripen foi testado nesse tipo de atividade. Por isso, além da certificação do par, um dos objetivos da Operação Samaúma foi a qualificação dessa aeronave como recebedora de combustível em voo. A qualificação da aeronave de caça como recebedora de combustível precede a certificação do par (tanker-receiver), pois valida, de forma isolada, a capacidade do receptor de manter estabilidade, controle e integridade estrutural durante a aproximação, o contato e a transferência de combustível sob diferentes cargas aerodinâmicas e vibrações. A qualificação como recebedora é um passo fundamental para a futura certificação do Gripen com outras aeronaves reabastecedoras, considerando que cada reabastecedor diferente demanda uma certificação específica do par. No caso do Gripen, os dados gerados na Operação Samaúma serão analisados pelo Swedish Military Aviation Authority (SE-MAA), autoridade responsável pela qualificação dessa funcionalidade, na Suécia.
O KC-390 já possui a qualificação como reabastecedor e como recebedor de combustível, além da certificação de par com as aeronaves F-5, A-1 e os próprios KC-390, operados pela FAB. Essa capacidade de reabastecer os principais vetores da Força Aérea Brasileira é preconizada no contrato de desenvolvimento da aeronave e aumenta sua atratividade no mercado internacional.
De acordo com o DCTA, a campanha simboliza um momento histórico para a Força Aérea e para o setor aeroespacial nacional. “A Operação Samaúma representa um marco para o desenvolvimento da tecnologia aeroespacial brasileira. Ela simboliza a convergência de dois projetos de grande relevância: o Gripen, desenvolvido em parceria com a indústria nacional, e o KC-390, concebido e validado integralmente pela Embraer. A sinergia entre essas duas plataformas, somada à atuação conjunta da SAAB, da Embraer e da Força Aérea Brasileira, demonstra um avanço significativo no fortalecimento da nossa capacidade industrial e operacional. Esta campanha coroa um ciclo de desenvolvimento tecnológico, evidenciando o resultado de esforços integrados em prol da soberania e da inovação do país”, destacou o Coordenador-Geral da Operação, por parte da FAB, Coronel Aviador George Luiz Guedes de Oliveira.
Ensaios em Voo
Em campanhas de certificação como a Operação Samaúma, faz-se necessária a atuação de Pilotos e Engenheiros de ensaios em voo. A atividade de ensaios em voo consiste na execução controlada e monitorada de testes reais em ambiente operacional, com aeronaves em voo, para validar o desempenho, a segurança e a compatibilidade dos sistemas. No Brasil, esses Pilotos e Engenheiros especializados são formados no Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), organização militar da FAB subordinada ao DCTA. Poucos países do mundo têm a capacidade de formar esse tipo de profissional, sendo que o Brasil é referência no assunto, com capacidade de formar tanto militares quanto civis.
Uma vez que o Gripen esteja qualificado como recebedor pela autoridade sueca, os dados coletados durante os ensaios em voo são analisados pelas empresas fabricantes e entregues ao Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), que também é uma organização militar da FAB subordinada ao DCTA. O IFI, enquanto autoridade de certificação militar nacional, certifica o par KC-390 e Gripen na atividade de reabastecimento em voo; essa certificação é reconhecida por toda comunidade internacional.
O nome da Operação faz referência à Samaúma, árvore símbolo da Amazônia, reconhecida por sua imponência e raízes profundas como uma metáfora da solidez e da integração entre as equipes envolvidas, refletindo a robustez dos projetos estratégicos conduzidos pela FAB.
Planejamento e sinergia
A Operação Samaúma envolveu cerca de 40 militares e foi resultado de um trabalho conjunto entre o DCTA, IPEV, IFI, Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I), Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA SP) e a Base Aérea de Anápolis (BAAN), além das equipes da Embraer e da SAAB.
A campanha foi marcada por planejamento rigoroso, integração entre equipes multinacionais e execução precisa das missões em diferentes condições de voo. O resultado confirmou o sucesso de mais uma etapa dos projetos estratégicos da Força Aérea Brasileira, evidenciando a eficiência das aeronaves e a evolução dos programas em desenvolvimento.
Nas atividades técnicas, atuaram pilotos e engenheiros de ensaios em voo da FAB, SAAB e Embraer, com aeronaves F-39 já recebidas pela FAB e protótipos do Gripen e do KC-390, pertencentes às empresas. A coordenação harmônica entre as partes nessa complexa tarefa culminou no atingimento dos objetivos comuns de forma eficiente.
“Conduzir os ensaios em voo de uma certificação como essa é uma experiência de grande relevância para qualquer piloto da Força Aérea Brasileira. Uma campanha de ensaios em voo representa um ambiente complexo e desafiador. Para um profissional da área técnica, como eu, participar de uma operação dessa natureza é repleto de aprendizados, especialmente pela interação com duas fabricantes de grande porte e renome internacional, como a SAAB e a Embraer”, destacou o Piloto de ensaio da Força Aérea Brasileira, Tenente-Coronel Aviador David Escosteguy.
“Como piloto de teste, tive a oportunidade de embarcar em um protótipo e realizar os primeiros voos de um tipo específico de missão dessa aeronave, ainda em processo de certificação. Do ponto de vista profissional, essa experiência é extremamente gratificante. A complexidade envolvida em uma campanha de ensaios em voo intensifica os desafios, mas também torna a superação deles ainda mais recompensadora. Para um piloto de teste, considero essa experiência o ápice da carreira — uma verdadeira realização profissional, que permite explorar os limites de uma aeronave que, em breve, será entregue ao seu operador em Anápolis”, destacou ainda o piloto.
O Gerente da campanha de ensaios em voo da SAAB, Johan Kaliff, também destacou a importância da cooperação entre as equipes envolvidas. “A operação teve início há algum tempo e, ao longo de aproximadamente um ano e meio, mantivemos uma intensa interação com a Força Aérea Brasileira e com a Embraer. No começo, precisávamos conhecer melhor uns aos outros e compreender como cada equipe conduzia suas tarefas. Mas, assim que as atividades começaram a fluir, o trabalho conjunto evoluiu de forma muito positiva”, disse.
“Realizamos diversas reuniões de coordenação e encontros técnicos entre as organizações de ensaios em voo, o que permitiu uma integração sólida entre todos os participantes. Também tivemos uma interação constante com os representantes da Força Aérea Brasileira em Linköping [na Suécia], o que contribuiu para fortalecer a parceria e o alinhamento entre as equipes. De maneira geral, considero que a cooperação foi muito produtiva e bem-sucedida, refletindo o espírito de colaboração e confiança que marcou toda a campanha”, concluiu Johan.
Avanço tecnológico e fortalecimento da indústria nacional
A certificação do reabastecimento em voo entre o Gripen e o KC-390 reforça o papel da indústria aeronáutica brasileira como referência em inovação e integração tecnológica.
O KC-390 Millennium, desenvolvido pela Embraer, já é um sucesso de exportação e se torna ainda mais competitivo no mercado internacional. Essa ampliação de capacidade operacional consolida o avião como uma das plataformas multimissão mais versáteis e modernas do mundo.
O Engenheiro de ensaios em voo da Embraer, Rafael Testi falou sobre o impacto da certificação para a Embraer e para a indústria nacional. “A certificação do reabastecimento em voo entre o KC-390 e o Gripen traz impactos significativos para a Embraer e para a indústria aeronáutica nacional. Essa conquista eleva a operacionalidade da Força Aérea Brasileira, fortalecendo a capacidade de defesa do espaço aéreo nacional. Especificamente, a certificação demonstra a interoperabilidade entre as aeronaves, um fator crucial para operações conjuntas e para a integração com outras plataformas de nova geração. Além disso, o KC-390, um produto genuinamente brasileiro, consolida-se como um avião de reabastecimento em voo de alta tecnologia, posicionado na vanguarda do mercado global. Essa capacidade tecnológica avançada, tanto na função de tanque quanto de receptor, coloca o Brasil em um patamar de destaque na indústria aeronáutica mundial”, concluiu.
O Gripen, que também está sendo fabricado no Brasil com a participação direta da Embraer e sob transferência de tecnologia da SAAB, se beneficiou com a campanha. A qualificação da aeronave como recebedora de combustível em voo fortalece sua atratividade internacional e reafirma a capacidade do país de conduzir programas aeronáuticos de alta complexidade, com independência técnica e excelência operacional.
O sucesso da Operação Samaúma coloca o Brasil entre os países que dominam todas as etapas de desenvolvimento, ensaio e certificação de sistemas de defesa. O resultado revela o avanço da capacidade industrial e a consolidação da autonomia tecnológica do país, fatores que fortalecem a Base Industrial de Defesa nacional.
Importância do IPEV e do IFI
A Operação Samaúma consolidou o protagonismo do DCTA e de suas organizações subordinadas no fortalecimento da capacidade tecnológica e operacional da FAB.
O IPEV atuou na coordenação técnica da campanha, reunindo pilotos e engenheiros de ensaio especializados na execução dos testes e na análise do desempenho das aeronaves. A atuação do Instituto reforça sua missão de realizar ensaios experimentais que asseguram a performance, a segurança e a confiabilidade dos sistemas aeronáuticos empregados pela Força. O domínio dessa capacidade exige elevado grau de conhecimento técnico-científico em áreas como aerodinâmica, controle de voo, sistemas de combustível, interface homem-máquina e segurança operacional, consolidando o IPEV como elo entre o conhecimento científico e a aplicação prática na aviação militar e civil.
A atuação sinérgica dos pilotos e engenheiros de ensaio do IPEV junto à Embraer e SAAB contribuiu com a eficiência da campanha, destacando a importância de deter esse conhecimento na FAB. Nas interações entre esses profissionais foi possível otimizar o consumo de horas de voo adequando a quantidade de contatos de transferência de combustível de forma a assegurar o atingimento dos objetivos de todas as partes envolvidas.
“O IPEV contribuiu tecnicamente para a certificação do F-39 Gripen e do KC-390 Millennium, planejando e executando voos na campanha de forma integrada aos ensaios conduzidos pela SAAB. Nosso objetivo foi garantir um produto certificado de alta qualidade, com eficiência de tempo e custo, resultado da expertise conjunta da FAB, Embraer e SAAB. O processo de certificação do F-39 está sendo conduzido pelo IPEV em parceria com o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial, órgão certificador nacional”, explicou o Vice-Diretor do Instituto, Coronel Aviador Cristiano de Oliveira Peres.
O IFI, por sua vez, é a autoridade certificadora militar do Brasil e foi responsável por assegurar o cumprimento dos requisitos técnicos, normativos e de aeronavegabilidade durante a campanha. A instituição conduz os processos de certificação, qualificação e acompanhamento industrial de produtos aeronáuticos e de defesa, garantindo que as soluções nacionais atendam aos mais altos padrões internacionais de qualidade e segurança. Com reconhecimento internacional, as certificações conduzidas pelo IFI são instrumentos estratégicos que garantem à FAB e à Base Industrial de Defesa produtos confiáveis, eficazes e alinhados às melhores práticas da engenharia aeronáutica mundial.
“O papel do IFI foi atuar em conjunto com o IPEV, a Embraer e a SAAB para definir a estratégia de certificação da aeronave abastecedora KC-390 (tanker), da aeronave recebedora F-39E Gripen (receiver) e da própria operação de reabastecimento em voo entre ambas. O processo permite ao país dominar integralmente os ciclos de desenvolvimento, avaliação e certificação de produtos de defesa, ampliando a autonomia e o alcance dos vetores estratégicos”, destacou o Chefe da Divisão de Certificação de Produtos Aeroespaciais do IFI, Tenente-Coronel Engenheiro Alexandre Luiz Reder Furtado.
As ações conjuntas dessas instituições, em parceria com a Embraer, a SAAB e a FAB, demonstraram a importância da integração entre o Estado e a indústria nacional, uma cooperação que resulta em ganhos diretos para o desenvolvimento tecnológico, social e para a independência operacional do país.
Vídeo: Sargento Neris / CECOMSAER
Fotos: Sargento Neris / CECOMSAER e EMBRAER
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O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) realizou no dia 12 de novembro de 2025, o Concerto da Banda de Música do DCTA, em homenagem ao “Retorno dos Heróis - 80 anos (1945- 2025), no auditório do Centro de Formação do Educador – CEFE de São José dos Campos.
Estiveram presentes na apresentação musical o Diretor-Geral do DCTA, Tenente-Brigadeiro do Ar Ricardo Augusto Fonseca Neubert; o Vice-Diretor do DCTA, Major-Brigadeiro Engenheiro Luciano Valentim Rechiuti; o Reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Professor Doutor Antonio Guilherme de Arruda Lorenzi; o Diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Brigadeiro do Ar Jorge Marques de Campos Junior; o Chefe do Subdepartamento Técnico do DCTA, Brigadeiro do Ar Eduardo Alexandre Bacelar, além dos Comandantes, Chefes, Diretores das Organizações Militares Guarnição de Aeronáutica de São José dos Campos (GUARNAE-SJ), a Prefeita de Aeronáutica de São José dos Campos e o Graduado-Master da GUARNAE-SJ Também compareceram os apoiadores do evento: o Secretário-Adjunto de Proteção ao Cidadão (SEPAC), Coronel Luiz Félix de Souza Jr., e o vereador Cláudio Apolinário, ambos representando a Prefeitura Municipal de São José dos Campos; o Presidente da Associação Desportiva Classista dos Servidores Civis e Militares do Centro Técnico Aeroespacial (ADCCTA), Robson Rodolfo Gervásio, e o representante da SJK Airport.

O concerto apresentou ao público por uma verdadeira travessia sonora, em homenagem aos soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial e retornaram vitoriosos em 1945.
O espetáculo celebrou os 80 anos do fim da guerra, evocando, por meio da música, a coragem, a saudade, a esperança e a brasilidade que marcaram aquele período histórico. O som que outrora ecoava dos motores de guerra deu lugar ao silêncio da paz, simbolizando o orgulho da missão cumprida e as marcas deixadas pela experiência.
Fonte: DCTA, por Ten Alessandra Borges
Foto: PASJ, por Ten Daniela Camargos
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